Misericórdia e perdão

Terço da Misericórdia: como rezar, passo a passo

O terço da Misericórdia é uma oração breve que Jesus confiou a santa Faustina Kowalska e se reza num terço comum em cerca de sete minutos. Você oferece ao Pai Eterno a Paixão do seu Filho e pede misericórdia pelo mundo inteiro. Veja como rezar, passo a passo.

Atualizado em 2 de outubro de 20268 min de leitura

Uma vela acesa e um terço sobre uma mesa de madeira escura diante da janela de uma capela ao anoitecer, com dois raios de luz suave sobre o chão.

Em resumo

  • O terço da Misericórdia é uma devoção aprovada pela Igreja; é rezado num terço comum de cinco dezenas em cerca de sete minutos.
  • Jesus o confiou a santa Faustina Kowalska em 1935 e ela o registrou em seu Diário; são João Paulo II a canonizou no ano 2000.
  • Você começa com o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Credo; depois reza o oferecimento “Eterno Pai…” nas contas grandes e “Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro” nas pequenas.
  • Você termina dizendo três vezes “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal”; muitos o rezam às três da tarde, a Hora da Misericórdia.
  • O terço é uma súplica de misericórdia, não um substituto da Confissão, onde essa misericórdia é recebida.
Nesta página
  1. O que é o terço da Misericórdia?
  2. Como rezar o terço da Misericórdia, passo a passo
  3. As orações do terço, por completo
  4. Quando se reza o terço da Misericórdia?
  5. O Domingo da Divina Misericórdia e a Confissão
  6. O que o terço é, e o que não é
  7. Que graças são prometidas a quem o reza?
  8. Perguntas frequentes

O que é o terço da Misericórdia?

O terço da Misericórdia é uma oração pela misericórdia de Deus sobre o mundo inteiro, rezada num terço comum. Jesus o confiou a uma religiosa polonesa, santa Faustina Kowalska (1905–1938), numa visão em 1935, e ela o escreveu em seu Diário, “Misericórdia Divina em minha alma”. Por meio dele você oferece ao Pai a Paixão de Jesus e pede misericórdia: por você, pelos que estão morrendo e por todos. O Evangelho, diz o Catecismo, é “a revelação em Jesus Cristo da misericórdia de Deus para com os pecadores” (CIC 1846), e o terço é um modo simples de se apoiar nessa misericórdia.

É uma revelação privada que a Igreja aprovou para a devoção, não um artigo de fé. As revelações privadas aprovadas não acrescentam nada ao Evangelho; seu papel é ajudar a “viver mais plenamente” segundo ele num determinado tempo (CIC 67). São João Paulo II, que canonizou Faustina no ano 2000 e a chamou de “dom de Deus ao nosso tempo”, deu à devoção a confiança da Igreja sem obrigar ninguém a crer nela. Você é convidado de coração a rezá-lo; nunca é obrigado.

Como rezar o terço da Misericórdia, passo a passo

  1. Faça o sinal da cruz

    Comece: “Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém”. Se quiser, acrescente a oração inicial opcional mais abaixo.

  2. Reze o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Credo

    Nas primeiras contas, reze um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e o Credo, assim como para começar um terço.

  3. Em cada conta grande, faça o oferecimento

    Na conta sozinha que vem antes de cada dezena, reze: “Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro”.

  4. Nas dez contas pequenas, peça misericórdia

    Em cada uma das dez contas da dezena, reze: “Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro”.

  5. Repita por cinco dezenas

    Diga o oferecimento na conta grande e, em seguida, a súplica dez vezes; e faça isso cinco vezes, uma por cada dezena do terço.

  6. Termine com a oração repetida três vezes

    No fim, reze três vezes: “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro”. Se desejar, conclua com a oração final opcional.

As orações do terço, por completo

Estas são as orações breves do próprio terço, para que você possa acompanhar enquanto aprende. A abertura e o encerramento são opcionais; as três orações do meio são o coração da devoção, repetidas nas contas.

As palavras do terço da Misericórdia

Abertura opcional: Ó Sangue e Água que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós.

Em cada conta grande: Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro.

Nas dez contas pequenas: Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.

No fim, três vezes: Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.

Encerramento opcional: Ó Deus eterno, em quem a misericórdia é infinita e o tesouro de compaixão inesgotável, olhai para nós com bondade e aumentai em nós a Vossa misericórdia.

O terço tal como santa Faustina o registrou em seu Diário, “Misericórdia Divina em minha alma” (números 474–476; a abertura e o encerramento vêm dos números 84 e 950). Estas orações breves são de domínio público.

Quando se reza o terço da Misericórdia?

Você pode rezá-lo a qualquer hora, mas há dois momentos tradicionais. O primeiro são as três da tarde, a Hora da Misericórdia, a hora da morte de Cristo na cruz; santa Faustina escreveu que Jesus lhe pediu para honrar essa hora, ainda que brevemente. O segundo é a Novena à Divina Misericórdia, os nove dias que começam na Sexta-Feira Santa, quando muitos rezam o terço a cada dia para preparar o Domingo da Misericórdia.

Muitos católicos também o rezam junto ao leito dos que estão morrendo, suplicando a misericórdia de Deus na hora que mais importa. Você pode rezá-lo por você, por alguém distante de Deus ou por uma alma que já partiu. Ele pede ao Pai que olhe para o mundo inteiro através do sofrimento de Jesus — uma oração ampla o bastante para abraçar qualquer pessoa que você carrega no coração.

O Domingo da Divina Misericórdia e a Confissão

O Domingo da Divina Misericórdia é o segundo domingo da Páscoa (o domingo depois da Páscoa da Ressurreição). São João Paulo II o instituiu para toda a Igreja no ano 2000, no dia em que canonizou santa Faustina. Nessa festa a Igreja concede uma indulgência plenária a quem participa das devoções da Divina Misericórdia, nas condições habituais: confissão sacramental, Comunhão e oração pelas intenções do Papa (Penitenciaria Apostólica, 2002).

Toda a devoção aponta para o confessionário. “Jesus, eu confio em Vós”, as palavras da imagem da Divina Misericórdia, tornam-se reais quando você leva os seus pecados ao sacramento onde a misericórdia é derramada. Se faz tempo que você não vai, nosso guia sobre como se confessar dá as palavras; se você carrega um peso específico, uma oração de perdão pode ajudar a começar.

O que o terço é, e o que não é

O terço é uma súplica de misericórdia, não uma fórmula mágica nem um substituto dos sacramentos. Ele não perdoa os pecados por si mesmo: os pecados são perdoados por Deus, ordinariamente pela Confissão e sempre por uma contrição sincera. O que o terço faz é educar o coração na confiança. Ele pede, repetidas vezes, misericórdia “de nós e do mundo inteiro”, até que você comece a esperar a misericórdia que está pedindo.

Se rezá-lo alguma vez alimentar a ansiedade em vez da confiança — o medo de tê-lo dito errado ou de que Deus não vá escutar —, deixe de lado a contagem e diga simplesmente: “Jesus, eu confio em Vós”. Escrúpulos não são devoção; nosso guia sobre os escrúpulos e um confessor bondoso podem ajudar você a encontrar paz.

Que graças são prometidas a quem o reza?

Em seu Diário, santa Faustina registrou promessas que Jesus associou ao terço: grande misericórdia para os que morrem e graça até para os pecadores mais endurecidos que o rezam. Como vêm de uma revelação privada, a Igreja recomenda a devoção com carinho sem fazer das promessas artigos de fé (CIC 67). Reze o terço confiando na misericórdia de Deus, que é certa, mais do que contando com um resultado específico, que é sempre dele conceder.

Perguntas frequentes

Como se reza o terço da Misericórdia num terço comum?

Use um terço comum de cinco dezenas. Comece com o sinal da cruz, depois um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e o Credo. Em cada conta grande reze o oferecimento “Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue…”; em cada uma das dez contas pequenas reze “Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro”. Faça isso por cinco dezenas e termine dizendo três vezes “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal”.

Quanto tempo leva para rezar o terço da Misericórdia?

Cerca de sete minutos se você rezar devagar, e um pouco menos quando já o souber de cor. Ele é mais curto do que um terço completo porque as orações das contas são breves. Por isso cabe bem nos dias corridos: você pode rezá-lo no caminho, numa pausa ou nos minutos em torno das três da tarde, a Hora da Misericórdia.

A que horas convém rezar o terço?

Você pode rezá-lo a qualquer hora, mas o momento tradicional são as três da tarde, a Hora da Misericórdia, quando a Igreja recorda a morte de Cristo na cruz. Santa Faustina escreveu que Jesus pediu para honrar essa hora. Se as três passarem, reze quando puder; a hora é uma ajuda para a devoção, não uma regra que obrigue.

O terço da Misericórdia está na Bíblia?

O terço como conjunto de orações não está na Bíblia. Ele vem de uma revelação privada dada a santa Faustina no século XX e aprovada pela Igreja para a devoção. Suas palavras, porém, são profundamente bíblicas: oferecem ao Pai o Corpo e o Sangue de Cristo e suplicam misericórdia por sua Paixão, ecoando o coração do Evangelho.

Posso rezar o terço por alguém que está morrendo ou já faleceu?

Sim. Rezar o terço pelos que estão morrendo é um de seus usos mais queridos; muitos o rezam junto a um leito, pedindo a misericórdia de Deus na hora da morte. Você também pode rezá-lo por alguém que já partiu, confiando-o à misericórdia de Deus. O terço pede misericórdia “de nós e do mundo inteiro”, então ninguém que você ama fica de fora.

Preciso de contas especiais da Divina Misericórdia?

Não. O terço foi pensado para um terço comum de cinco dezenas, então qualquer terço serve. Existem contas especiais da devoção e algumas pessoas gostam delas, mas não são necessárias. Você pode até rezá-lo nos dedos se não tiver contas; o que importa é a oração, não o objeto na sua mão.

O que é o Domingo da Divina Misericórdia?

É o segundo domingo da Páscoa, o domingo depois da Ressurreição. São João Paulo II o instituiu para toda a Igreja no ano 2000. Nesse dia a Igreja concede uma indulgência plenária a quem participa das devoções da Divina Misericórdia e cumpre as condições habituais: confissão sacramental, Comunhão e oração pelas intenções do Papa. É um dia muito próprio para voltar à Confissão.

Fontes

Citadas por número e versículo, para que você possa lê-las por inteiro. No fim, a última palavra é do seu padre.

O Confession Compass é uma ferramenta educativa independente, não um órgão oficial da Igreja Católica. Nunca absolve pecados: somente um sacerdote, no Sacramento da Reconciliação, pode absolver.