Preparar-se para a Confissão

O ato de contrição: a oração, seu sentido e como rezá-la

Um ato de contrição é uma oração em que você diz a Deus que está arrependido dos seus pecados e decide não pecar mais. O ato de contrição mais rezado no Brasil começa: “Meu Deus, eu me arrependo de todo o coração”. Aqui está ele inteiro, com o que significa e como rezá-lo.

Atualizado em 2 de outubro de 20269 min de leitura

Uma pessoa ajoelhada em silhueta diante de um altar iluminado por velas ao anoitecer, de cabeça baixa em arrependimento e oração, com luz violeta por um janelão em arco.

Em resumo

  • Um ato de contrição é uma oração breve que expressa o arrependimento pelo pecado e o propósito firme de não pecar mais (CIC 1451).
  • A forma mais rezada no Brasil começa “Meu Deus, eu me arrependo de todo o coração” e é rezada perto do fim da Confissão.
  • A contrição é “perfeita” quando nasce do amor a Deus, e “imperfeita” quando nasce do medo das consequências do pecado; as duas são dons de Deus (CIC 1452–1453).
  • A contrição perfeita, com o propósito firme de se confessar o quanto antes, obtém o perdão de Deus mesmo antes de você conseguir se confessar (CIC 1452).
  • O que importa não são as palavras perfeitas nem um sentimento forte, mas o arrependimento verdadeiro e o propósito sincero de mudar, rezados de coração.
Nesta página
  1. O que é o ato de contrição?
  2. A oração do ato de contrição, inteira
  3. Contrição perfeita e imperfeita: qual é a diferença?
  4. Quando se reza o ato de contrição?
  5. A contrição perfeita quando não dá para se confessar
  6. Como rezar o ato de contrição de coração
  7. Um ato de contrição com as suas próprias palavras
  8. Perguntas frequentes

O que é o ato de contrição?

Um ato de contrição é uma oração em que você diz a Deus que está de verdade arrependido dos seus pecados e decide, com a ajuda dele, não pecar mais. O Catecismo define a contrição como “a dor da alma e a detestação do pecado cometido, com a resolução de não mais pecar” (CIC 1451). A oração põe em palavras esse arrependimento. É rezada sobretudo na Confissão, mas você pode rezá-la sempre que quiser voltar para Deus.

A contrição é o primeiro e o mais importante dos atos do penitente no sacramento da Reconciliação (CIC 1451). O pecado não é só quebrar uma regra; é afastar-se do Deus que nos ama. O ato de contrição é a volta: o coração que diz, com honestidade, “estou arrependido e quero mudar”. Por isso ele está no centro de como se confessar e de toda volta para Deus.

A oração do ato de contrição, inteira

Aqui está o ato de contrição mais rezado no Brasil, que muitos católicos sabem de cor. Se você está se preparando para a confissão, pode decorá-lo ou simplesmente levá-lo num cartão: os padres esperam isso e costumam ter uma cópia à mão.

Ato de contrição

Meu Deus, eu me arrependo, de todo o coração, de vos ter ofendido,

porque sois tão bom e amável.

Prometo, com a vossa graça, esforçar-me para não mais pecar.

Meu Jesus, misericórdia!

O ato de contrição mais rezado no Brasil (domínio público).

Há também uma forma tradicional mais longa, rezada de geração em geração, que começa “Senhor meu, Jesus Cristo”. Reze a que você souber: as duas contêm o essencial —o arrependimento pelo pecado e o propósito firme de mudar—, de modo que sejam um verdadeiro ato de contrição, e não apenas palavras.

Ato de contrição (forma tradicional)

Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu;

por serdes vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas,

e porque vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração por vos ter ofendido.

Pesa-me também por ter perdido o céu e merecido o inferno.

Mas proponho firmemente, ajudado com o auxílio de vossa divina graça,

emendar-me e nunca mais vos tornar a ofender.

E espero alcançar o perdão das minhas culpas, pela vossa infinita misericórdia.

Amém.

A forma tradicional do ato de contrição em português (domínio público).

Contrição perfeita e imperfeita: qual é a diferença?

A Igreja distingue duas espécies de contrição pelo seu motivo (CIC 1492). A contrição perfeita é o arrependimento que nasce do amor a Deus, amado acima de tudo por si mesmo. A contrição imperfeita (ou atrição) nasce de outros motivos: a feiura do pecado, ou o medo do inferno e dos castigos justos de Deus (CIC 1453). As duas são autênticas, e as duas são um dom de Deus e um impulso do Espírito Santo.

A diferença importa sobretudo fora da confissão. A contrição perfeita, por nascer da caridade, já obtém o perdão dos pecados mortais, desde que inclua o propósito firme de confessá-los o quanto antes (CIC 1452). A imperfeita não pode, sozinha, perdoar o pecado grave, mas “também é um dom de Deus” e basta para receber dignamente o perdão no sacramento da Penitência (CIC 1453). Então, se você chega à confissão arrependido ainda que principalmente por medo, é suficiente: Deus vem ao seu encontro.

A contrição perfeita e a imperfeita
Contrição perfeitaContrição imperfeita (atrição)
MotivoO amor a Deus acima de tudoA feiura do pecado, ou o medo do inferno e do castigo
É um dom de Deus?SimSim: um impulso do Espírito Santo
Perdoa o pecado mortal fora da confissão?Sim, com o propósito firme de se confessar logo (CIC 1452)Não, mas dispõe ao perdão (CIC 1453)
Basta para o sacramento da Penitência?SimSim

Quando se reza o ato de contrição?

Na Confissão, o ato de contrição é rezado perto do fim: depois de você ter dito seus pecados e de o padre dar uma penitência, e logo antes de ele pronunciar a absolvição. Ele vai convidar você a expressar a sua dor; esse é o momento. Reze em voz alta, devagar, de cor, de um cartão ou com as suas próprias palavras.

Fora da confissão, o ato de contrição é uma bela oração no fim do dia, durante um exame de consciência ou quando a consciência se mexe. Muitos o incluem numa oração antes da confissão e de novo depois. Rezá-lo com frequência mantém o coração dócil e pronto, de modo que o arrependimento pelo pecado se torna um hábito de amor, e não um ato raro e difícil.

A contrição perfeita quando não dá para se confessar

Se você está em pecado mortal e de verdade não consegue chegar à confissão —em perigo de morte, ou quando simplesmente não há padre—, um ato de contrição perfeita o restaura na hora à graça de Deus. Por brotar do amor a Deus, e não do medo, ela “obtém o perdão dos pecados mortais, se incluir o firme propósito de recorrer, logo que possível, à confissão sacramental” (CIC 1452). Essa última condição é essencial: a contrição perfeita não substitui a confissão; ela o sustenta até você poder chegar a ela.

Para fazer esse ato, diga a Deus que está arrependido sobretudo porque o seu pecado ofendeu a ele, a quem você ama; peça perdão; e decida sinceramente se confessar o quanto antes. Você pode usar a oração tradicional ou as suas próprias palavras. Depois vá à confissão na primeira oportunidade real, e mencione ali os pecados mortais que foram perdoados desse modo, para completar o caminho ordinário da misericórdia da Igreja (CIC 1484).

Como rezar o ato de contrição de coração

As palavras importam menos do que o coração por trás delas. A contrição “não precisa ser um sentimento forte”, como lhe dirá qualquer bom confessor; é um ato da vontade: um verdadeiro afastar-se do pecado e voltar-se para Deus, nutrido pela esperança na sua misericórdia (CIC 1431, 1490). Reze devagar. Viva as duas coisas que a oração diz: que você está arrependido, e que se propõe, com a graça de Deus, a mudar.

Jesus elogiou o publicano que, batendo no peito, rezou apenas: “Meu Deus, tende misericórdia de mim, que sou pecador” (Lucas 18,13). Essa oração curta e humilde é um ato de contrição perfeito. Se o sentimento de dor não vier, reze assim mesmo: peça a Deus o dom da contrição e confie que o seu desejo honesto já é o começo dela (CIC 1432). E não deixe que a busca pela oração “perfeita” o afaste da confissão. Nosso guia sobre como se arrepender acompanha a passagem dessa dor a uma vida mudada.

Um ato de contrição com as suas próprias palavras

Você não precisa usar as palavras tradicionais. Se estiver nervoso, ou se elas não vierem, uma oração simples de coração é um verdadeiro ato de contrição, desde que contenha o arrependimento pelo pecado e o propósito de mudar. Aqui está um exemplo que você pode adaptar.

Com as suas próprias palavras

Meu Deus, estou arrependido dos meus pecados de todo o coração.

Ao escolher o mal e deixar de fazer o bem,

pequei contra vós, a quem devo amar acima de todas as coisas.

Proponho firmemente, com a vossa ajuda, fazer penitência, não pecar mais

e evitar tudo o que me leva ao pecado.

Tende misericórdia de mim e ajudai-me a recomeçar. Amém.

Um ato de contrição em palavras simples, como modelo para você tornar seu.

Perguntas frequentes

O que é a oração do ato de contrição?

É uma oração breve que expressa o arrependimento pelos seus pecados e o propósito firme de não pecar mais. A forma mais rezada no Brasil começa “Meu Deus, eu me arrependo de todo o coração de vos ter ofendido” e termina com “Meu Jesus, misericórdia!”. É rezada na Confissão e sempre que você quiser voltar para Deus. As palavras exatas podem variar; o que conta é o arrependimento e o propósito de mudar.

Quando se diz o ato de contrição na confissão?

Ele é rezado perto do fim da confissão, depois de você dizer seus pecados e de o padre dar uma penitência, logo antes de ele pronunciar a absolvição. Ele vai convidar você a expressar a sua dor. Reze em voz alta, de cor, de um cartão ou com as suas próprias palavras. Se esquecer, o padre lembra você ou reza junto, então não há motivo para se angustiar.

Qual é a diferença entre contrição perfeita e imperfeita?

Elas se distinguem pelo motivo. A contrição perfeita é o arrependimento que nasce do amor a Deus acima de tudo. A imperfeita, ou atrição, nasce da feiura do pecado ou do medo do inferno e do castigo. As duas são dons de Deus. A perfeita pode obter o perdão do pecado mortal mesmo antes da confissão, desde que você decida se confessar o quanto antes; a imperfeita basta para receber dignamente o perdão no próprio sacramento.

A contrição perfeita me perdoa se eu não puder me confessar?

Sim. Um ato de contrição perfeita, nascido do amor a Deus, o restaura na hora à graça e obtém o perdão dos pecados mortais, desde que inclua a resolução firme de ir à confissão sacramental o quanto antes (CIC 1452). Ele não substitui a confissão; sustenta você até poder chegar a ela. Na sua próxima confissão, mencione os pecados mortais que foram perdoados desse modo.

E se eu não me sentir arrependido o bastante?

A contrição é um ato da vontade, não um sentimento, então você não precisa de uma emoção forte. Se a dor não vier, reze assim mesmo e peça a Deus o dom da verdadeira contrição; o seu desejo honesto de se arrepender já é o começo dela. Chegar à confissão ainda que principalmente por medo das consequências do pecado basta, porque essa contrição imperfeita também é um dom de Deus e é suficiente para o sacramento.

Preciso usar as palavras tradicionais?

Não. O ato de contrição tradicional é querido e vale a pena aprendê-lo, mas uma oração sincera com as suas próprias palavras é igualmente válida, desde que expresse o arrependimento pelo pecado e o propósito, com a ajuda de Deus, de mudar. Diga devagar e de verdade. Se estiver nervoso na confissão, conte ao padre e ele ajuda você ou reza junto. Deus olha o coração, não o capricho das palavras.

Fontes

Citadas por número e versículo, para que você possa lê-las por inteiro. No fim, a última palavra é do seu padre.

O Confession Compass é uma ferramenta educativa independente, não um órgão oficial da Igreja Católica. Nunca absolve pecados: somente um sacerdote, no Sacramento da Reconciliação, pode absolver.