Entender o pecado

O que é pecado? O significado católico e a misericórdia de Deus

O que é pecado? No ensino católico, o pecado é um pensamento, uma palavra, uma ação ou uma omissão deliberada contra a razão, a verdade e o amor verdadeiro, e acima de tudo uma ofensa contra Deus. Mas o Evangelho revela a misericórdia de Deus para com os pecadores, e nenhum coração sincero fica fora dela.

Atualizado em 2 de outubro de 20269 min de leitura

Uma vela que arde baixa junto a uma janela em penumbra ao anoitecer, sua pequena chama a única luz numa capela escura.

Em resumo

  • O pecado é uma escolha livre —de pensamento, palavra, ação ou omissão— contra a razão, a verdade e o amor; o Catecismo o chama acima de tudo uma ofensa contra Deus.
  • A Escritura apresenta o pecado como errar o alvo e afastar-se de Deus; como escreve são Paulo, todos pecaram e precisam da glória de Deus.
  • A Igreja distingue o pecado original, o estado decaído que herdamos, dos pecados pessoais que cada um comete, e o pecado mortal do venial pela sua gravidade.
  • O pecado de omissão é o bem que sabíamos que devíamos fazer e deixamos de fazer; o Confiteor o confessa ao reconhecer que pecamos “por pensamentos e palavras, atos e omissões”.
  • O coração do Evangelho é a misericórdia: Deus espera para perdoar todo pecador que volta a ele, sobretudo na Confissão.
Nesta página
  1. O que é pecado? A definição católica
  2. O que a Bíblia diz sobre o pecado?
  3. Pecado original e pecado pessoal: qual é a diferença?
  4. Quais são os tipos de pecado? Pensamento, palavra, ação e omissão
  5. Quão grave é um pecado? Mortal e venial
  6. Existe algum pecado grande demais para a misericórdia de Deus?
  7. O que fazer com o pecado que eu descubro?
  8. Perguntas frequentes

O que é pecado? A definição católica

O pecado é “uma falta contra a razão, a verdade e a consciência reta”: uma falha no amor verdadeiro a Deus e ao próximo, causada por um apego desordenado a certos bens (CIC 1849). É um ato livre e deliberado —um pensamento, uma palavra, uma ação ou uma omissão— que sabemos ser contra a lei de Deus e escolhemos mesmo assim. Essa é a resposta curta para o que é pecado; a Igreja depois a completa.

Acima de tudo, o pecado é uma ofensa contra Deus. “Contra ti, só contra ti, pequei”, reza o salmista (CIC 1850). O pecado levanta-se contra o amor de Deus e afasta dele o coração; a tradição chega a chamá-lo “amor de si até ao desprezo de Deus” (CIC 1850). Também fere quem peca e prejudica toda a família humana, porque nenhum pecado é totalmente privado (CIC 1849).

O que a Bíblia diz sobre o pecado?

Na Escritura, as palavras mais comuns para pecado significam “errar o alvo”: mirar no bem e ficar aquém dele. O pecado é desobediência e relação rompida, desde a primeira recusa no Éden até as falhas diárias que são Paulo enumera em suas cartas. Ninguém está isento: o diagnóstico da Bíblia é universal antes de ser pessoal.

porque todos pecaram e necessitam da glória de Deus
Romanos 3,23 (Figueiredo)

A Escritura mostra também o caminho de volta. O Salmo 51 (50), rezado após o pecado do rei Davi, é a grande oração de arrependimento da Igreja: o pecador não se esconde, mas volta-se para Deus e pede um coração puro. O padrão atravessa toda a Bíblia: honestidade diante do pecado e confiança em uma misericórdia sempre maior. Por isso nomear o pecado com clareza nunca é o fim da história.

Pecado original e pecado pessoal: qual é a diferença?

O pecado original não é algo que você fez. É o estado ferido da natureza humana que cada pessoa herda do primeiro pecado de nossos primeiros pais, que abusaram da liberdade e se preferiram a si mesmos em vez de Deus (CIC 396–398). O Catecismo é cuidadoso: o pecado original só é chamado “pecado” por analogia; é um estado “contraído”, não “cometido”, e não uma falta pessoal sua (CIC 404–405).

Seu efeito é que a natureza humana vem ao mundo enfraquecida, ignorante, marcada pelo sofrimento e pela morte, e inclinada ao mal: uma inclinação que a Igreja chama concupiscência (CIC 405). O Batismo apaga o pecado original, mas a inclinação permanece, e por isso a vida é um combate espiritual (CIC 405, 409). Esse é o terreno em que cresce o pecado pessoal.

O pecado pessoal, ou atual, é o que você mesmo comete por um ato livre (CIC 1849–1853). É o que este guia entende por pecado e o que você leva à Confissão. Mede-se pela sua gravidade —a diferença entre o pecado mortal e o pecado venial— e pelo quanto a escolha por trás dele foi deliberada.

Quais são os tipos de pecado? Pensamento, palavra, ação e omissão

Há muitos tipos de pecado, e a própria Escritura oferece várias listas (CIC 1852). O Catecismo os ordena de várias maneiras: pela virtude a que se opõem ou pelo mandamento que violam; conforme digam respeito a Deus, ao próximo ou a si mesmo; como espirituais ou carnais; e, de modo clássico, como pecados “por pensamento, palavra, ação ou omissão” (CIC 1853). Qualquer que seja a forma, a raiz do pecado está no coração, no livre-arbítrio (CIC 1853).

O pecado de omissão é o mais fácil de passar despercebido: é o bem que você sabia que devia fazer e simplesmente não fez. A Escritura o diz sem rodeios, e o Confiteor nos faz reconhecer que pecamos “por pensamentos e palavras, atos e omissões”. A omissão pode ser grave —ignorar alguém em verdadeira necessidade— ou leve, mas entra num exame de consciência sincero ao lado do que você fez de errado.

Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz, comete pecado.
Tiago 4,17 (Figueiredo)

O pecado também vai além do indivíduo. Como podemos participar dos pecados dos outros —mandando, aconselhando, elogiando ou não os impedindo—, os pecados pessoais dão origem a situações injustas e a “estruturas de pecado”, o que a Igreja chama pecado social (CIC 1868–1869). Uma estrutura de pecado continua sendo fruto de escolhas pessoais; chama-se social por seus efeitos, que arrastam outros ao mal.

Quão grave é um pecado? Mortal e venial

Os pecados diferem em gravidade, e a Igreja distingue o pecado mortal do venial, uma distinção já presente na Escritura (CIC 1854). O pecado mortal destrói a caridade no coração por uma violação grave da lei de Deus e nos afasta dele; o pecado venial fere e enfraquece a caridade sem romper a nossa amizade com ele (CIC 1855).

Para que um pecado seja mortal, três condições devem se dar juntas: matéria grave, pleno conhecimento e consentimento deliberado (CIC 1857). Se faltar uma, o pecado é venial. Nossos guias sobre o pecado mortal e o pecado venial explicam cada um, e os sete pecados capitais descrevem as raízes de que brotam muitos pecados. Nunca conclua que outra pessoa está em pecado mortal: o juízo das almas pertence só a Deus (CIC 1861).

Existe algum pecado grande demais para a misericórdia de Deus?

Não. “O Evangelho é a revelação, em Jesus Cristo, da misericórdia de Deus para com os pecadores” (CIC 1846). O sentido de nomear o pecado é justamente que ele pode ser perdoado: como escreve são Paulo, “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (CIC 1848). Não há pecado tão grande que a misericórdia de Deus não possa alcançá-lo, para quem se volta a ele.

Há uma só condição, e é apenas a honestidade. “Para receber a sua misericórdia, devemos reconhecer as nossas faltas” (CIC 1847). Deus, diz o Catecismo, é como um médico que descobre a ferida para curá-la (CIC 1848). É só para isso que serve examinar o pecado: não para te acusar, mas para deixar a luz entrar e a graça fazer a sua obra.

O que fazer com o pecado que eu descubro?

Leve-o a Deus, e leve os pecados graves à Confissão. O caminho comum é simples: faça um exame de consciência sincero, arrependa-se do que encontrar e proponha, com a ajuda de Deus, mudar. Se quiser compreender esse arrependimento, nosso guia sobre o arrependimento o percorre passo a passo.

Depois procure o sacramento. Confessar os pecados ao sacerdote é o modo que Cristo escolheu para nos reconciliar; se você está nervoso ou faz tempo que não se confessa, como se confessar lhe dá as palavras. Os pecados mortais devem ser confessados; os veniais não são obrigatórios, embora a Igreja o recomende vivamente (CIC 1458).

Perguntas frequentes

O que é pecado em palavras simples?

O pecado é a escolha livre de fazer, dizer, pensar ou deixar de fazer algo que você sabe ser contra a lei de Deus e contra o amor verdadeiro. O Catecismo o define como uma ofensa contra a razão, a verdade e a consciência reta, e acima de tudo contra Deus. Ele fere quem peca e prejudica os outros, mas sempre pode ser perdoado quando há arrependimento sincero.

Qual é a diferença entre pecado de ação e pecado de omissão?

O pecado de ação é algo errado que você faz ativamente, por pensamento, palavra ou obra. O pecado de omissão é um bem que você sabia que devia fazer e não fez, como ignorar alguém em grave necessidade. A Escritura diz que quem conhece o bem e não o faz comete pecado, por isso um exame sincero olha tanto para o que você fez quanto para o que deixou de fazer.

Qual é a diferença entre pecado original e pecado pessoal?

O pecado original é o estado ferido da natureza humana que todos herdamos do primeiro pecado de nossos primeiros pais; é uma condição que recebemos, não uma falta que cometemos, e o Batismo o tira. O pecado pessoal é um ato errado que você mesmo escolhe, por pensamento, palavra, ação ou omissão. O original nos deixa inclinados ao mal, mas cada pecado pessoal continua sendo sua escolha livre.

Todos os pecados são igualmente graves?

Não. A Igreja distingue o pecado mortal do venial pela sua gravidade. O pecado mortal supõe matéria grave com pleno conhecimento e consentimento deliberado, e rompe a nossa amizade com Deus. O pecado venial é uma falta menor que fere o nosso amor a Deus sem destruí-lo. Se você não tem certeza da gravidade de algo, confesse e deixe o sacerdote ajudar você a entender.

Deus pode perdoar qualquer pecado?

Sim. O Evangelho é a revelação da misericórdia de Deus para com os pecadores, e a Escritura diz que onde abundou o pecado superabundou a graça. Nenhum pecado é grande demais para Deus perdoar quem se arrepende. A única coisa que deixa a misericórdia de fora é recusá-la de modo definitivo e deliberado. Para todo pecado levado com sinceridade a Deus, sobretudo na Confissão, o perdão está garantido.

Pensar em algo errado já é pecado?

Não de forma automática. Um pensamento ou uma tentação que simplesmente surge ainda não é pecado; torna-se pecaminoso só quando você o acolhe e consente de modo deliberado. A raiz do pecado está no coração e no livre-arbítrio, por isso o que conta é o consentimento, não a mera chegada do pensamento. Se isso te angustia e você não consegue distinguir, vale a pena conversar com um confessor.

Fontes

Citadas por número e versículo, para que você possa lê-las por inteiro. No fim, a última palavra é do seu padre.

O Confession Compass é uma ferramenta educativa independente, não um órgão oficial da Igreja Católica. Nunca absolve pecados: somente um sacerdote, no Sacramento da Reconciliação, pode absolver.